domingo, 10 de maio de 2009

Maternal.

Amava ter seus pés junto aos meus!


Eles eram minúsculos, mas encaixavam certo entre os seus nos dias de frio.
Eu era tão pequena... Cabia nos seus braços sem fazer esforço. Me alimentava e te olhava, como se você fosse a mais bela obra de arte já criada - e realmente é.
Seu sorriso me passava tanta coisa boa! E depois de vinte e poucos anos, ele continua o mesmo.
Seu olhar fala sozinho; é entendido pelo meu aos pequenos gestos.
Antes, você me acordava no meio da noite com leite quente pra me curar a tosse. Antes, durante e depois.
Eu fico imaginando de onde eu vou tirar forças pra acordar cedo e cuidar dos meus filhos, marido, trabalhar o resto do dia, chegar exausta, e ainda ter prazer em cozinhar, dar banho, conversar, colocar pra dormir... DE VOCÊ!
Ao dar os primeiros passos, era pra você que eu corria. Começando a andar de bicicleta, foi pra você que eu corri... Nas primeiras decepções, é pra você que eu ainda corro.
E se o pai precisa sair de cena por uma vontade divina, você o substitui assustadoramente bem. Faz o papel de durona quando preciso, flexível quando pode, com um amor bem mais gigante do que poderia me dar.
Amor materno cura depressão, medo, angústia; tira receios, dúvidas. Te dá coragem, te ergue, te move pro mundo.
Quando o namoro termina, você volta a me colocar no colo... Mas que pena! Não consigo mais caber completamente nele.
E se esse mesmo mundo agora já me parece assustador, fico imaginando como devia ser bem mais quando visto pelos meus olhos miúdos. Na verdade, ele até era... Mas era só um frio na barriga momentâneo, das vezes em que eu ficava de cabeça pra baixo no parque tentando ter o céu nos pés; e você insistia em que aquilo ia me fazer mal. Hoje, eu tenho certeza que você daria tudo pra voltar aos problemas como "ficar de cabeça pra baixo faz mal; ficar rodando sem parar vai te deixar tonta" - e logo eu, que só queria ver se conseguia cair pelo céu afora... Ou via alguma musicalidade naquela tontura rápida...
Lembra que eu sentava com você na varanda pra ler o "Aurélio", que mal cabia nos meus bracinhos? Você ria... Achava loucura, mas mesmo assim, continuou a me deixar carregar aquele dicionário gigantesco. Eu me perdia nas palavras, significantes/significados. Perguntava tudo, e você sempre, com grande paciência respondia a todas elas.

Se eu queria teatro, você fazia.
Se eu queria Ballet, você fazia.
Se eu queria leite moça pra ver cinema em casa, você fazia; E ainda me deixava deitar na sua cama, debaixo das cobertas.
Lembra da piscina de plástico, das músicas em inglês errado, do castelo rá-tim-bum de ratinhos cantores e 'umalavaoutramão'? Lembra do Beto Guedes aos 7 anos, e das manhãs em Valença?
Eu lembro... E me arrependo de não ter aproveitado mais.

Como você pôde? Como pôde ser tão perfeita? Você não erra, isso é impossível! É possível? Muito possível.
Você me deu amor a Deus, ao próximo, a mim mesma; me deu amor as letras, aos versos, ao lado "arte" do mundo; você me deu amor aos pequenos detalhes, ao olhar ser humano, ao que eu fosse seguir na vida.
Hoje, se me construí de uma maneira tão bela, foi ao me espelhar em você.
Se tenho sonhos, se estou curada da tristeza, é a você que eu agradeço:


Obrigada, mãe, por ser você... Bem assim, justinho você.
Você é espetacular, é singular. E é pra sempre, aqui comigo.


P.s.: Amo você eternamente.

2 comentários:

Mayara Benatti disse...

Luar, realmente essa figura MÃE é algo que não conseguimos descrever se não com a palavra PERFEIÇÃO!
Ótimo texto, emocionante!!
Beijos e continue acompanhando o meu...vou divulgar o seu!!

Arlindo_Gilcqueline disse...

Linda,achei o máximo esse texto de mãe...ele é TUDO...PERFEITO!Quando vc diz das manhãs em Valença,vc é de lá?Morou lá???Sou mãe de Thiago Faria,e sou nascida lá,tanto pelo conteúdo que retrata a lembrança perfeita da mãe ,como vc ter relatado "as manhãs em Valença" mecheu muito com minha infância e com minha jornada de mãe.PARABÉNS!

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